"As nações têm seus sonhos, e as recordações de tais sonhos
persistem através de gerações e séculos. Alguns deles são sonhos nobres,
e outros malignos e ignóbeis. Os sonhos de conquista e de ser mais
forte e maior que todos os demais foram sempre sonhos maus, e essas
nações têm sempre mais preocupações do que as outras que têm sonhos mais
pacíficos. Mas há outros sonhos, sonhos melhores, sonhos de um mundo
melhor, sonhos de paz e de nações que vivem em paz umas com as outras, e
sonhos de menos crueldade, menos injustiça, menos pobreza, menos
sofrimento. Os sonhos maus tendem a destruir os sonhos bons da
humanidade, e há animosidade e luta entre os sonhos bons e os sonhos
maus. E as gentes lutam por seus sonhos tanto como por suas posses
terrenas. E assim os sonhos baixam do mundo das visões ociosas para o
mundo da realidade, e convertem-se em força real em nossa vida. Por
vagos que sejam, têm os sonhos um modo de ocultar-se e não deixar-nos em
paz, até que se hajam traduzido em realidade, como as sementes que
germinam debaixo da terra, e que hão de brotar em sua busca de sol. Os
sonhos são coisas muito reais."
Lin Yutang. A importância de viver. Tradução de Mário Quintana. Editora Círculo do Livro. Pág. 80.
É assim que são maus os sonhos da "paz imposta à força" há tantos séculos, ainda que pretendam ser sonhos bons. Sua ideia de "paz entre as nações" significa que todas finalmente obedeçam a uma única igreja, que terá então liberdade de mandar para a prisão, forca ou fogueira -- conforme a moda da época -- todos que discordarem de suas teorias porque viram outros valores, valores reais de um amor genuíno e não fingido ou "ensinado", e que tendo os visto jamais aceitarão se calar.
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