sábado, 18 de março de 2023

O papel das “elites”

Um povo que passa fome lutará por comida. Saciada essa necessidade, lutará por trabalho digno. Conquistado esse direito, lutará por mais conforto e qualidade de vida, e assim por diante.

Por isso as classes superiores, vendo essa subida, trabalham para chutar a escada, para devolver o pobre ao degrau inferior, e deste para o de baixo… evitando assim que as massas pobres alcancem a fartura, situação em que competiria com as classes superiores e reduziria seus privilégios.

Eis a moralidade das “elites”, e eis porque recorrem sempre à mitologia do colonizador e seu “Deus”, onde escondem sua hipocrisia.

Por que outra razão nossa educação continua lastimável? (A direita vai colocar a culpa em Paulo Freire, quando a maioria dos legisladores nunca foi de esquerda.) Por que outra razão se esvaziam os estoques de alimentos?

domingo, 12 de fevereiro de 2023

Qual é o papel do Estado?

O Estado deve garantir o pleno emprego da capacidade produtiva instalada, seja ela industrial, comercial, agrária, pesqueira, madeireira, etc. Pleno emprego da indústria madeireira, por exemplo, implica extração de madeira em escala sustentável e de longo prazo, como praticado nas pouco conhecidas Florestas Nacionais. Um Parque Nacional não produz, economicamente, apenas turismo e recreação. Um parque produz biodiversidade, recursos genéticos, serviços ecossistêmicos... sua conservação é um investimento de longo prazo. Assim, pleno emprego das forças produtivas não precisa ser sinônimo de degradação ambiental, mas de maximização das riquezas humana, social e natural.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Quem é o “mercado” e quem somos nós?

A verdade é que tudo que o “mercado” (leia-se as 100 famílias mais ricas e poderosas do Brasil) diz é pra massacrar o povo. Me entristece escutar um pobre trabalhador defendendo este modelo sem saber qual seu lugar.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Lin Yutang sobre o “amor ao próximo”

“O amor ao próximo não deve ser uma doutrina, um artigo de fé, um ponto de convicção intelectual ou uma tese apoiada em argumentos. O amor à humanidade que requer razões não é um verdadeiro amor. Este amor deveria ser perfeitamente natural, tão natural para o homem como é para os pássaros agitar as asas. Deveria ser um sentimento direto e brotar naturalmente de uma alma sadia que vive em contato com a natureza. Um homem que ame de verdade as árvores não pode ser cruel com os animais ou com seus semelhantes. Num espírito perfeitamente são, que adquire um critério da vida e de seus semelhantes e um conhecimento verdadeiro e profundo da natureza, a bondade é coisa natural. Essa alma não necessita de nenhuma filosofia ou religião feita pelo homem e que lhe ordene que seja boa. Como seu espírito foi devidamente nutrido através de seus sentidos, afastado da vida artificial e de doutrinas ainda mais artificiais a respeito da vida humana, pode tal homem conservar uma verdadeira saúde mental e moral.”

— Lin Yutang, A Importância de Viver, p. 134. Círculo do Livro, sem data. Tradução de Mário Quintana.

A economia mainstream destrói a saúde mental e moral sem se dar conta, e não toca no assunto.

Aliás, quantos economistas já ouviram falar em saúde moral?

sábado, 3 de dezembro de 2022

De americanos e estadunidenses

Se tem algo que fere meus tímpanos é ouvir alguém dizer “americanos” ou, ainda pior, “norte-americanos” quando querem se referir a habitantes dos Estados Unidos da América. Quase sempre que comento isso, e proponho que se use em seu lugar o termo “estadunidenses”, aparece algum defensor do ego ferido alheio para me dizer que estadunidense “não existe” ou que “só existe no Brasil” e que “não é assim que eles se chamam” bla bla bla.

O “Diccionario de la Lengua Española”, da Real Academia Española, em sua 21ª edição (e também na 23ª, de 2014), contém os dois verbetes:

estadounidense. 1. adj. Natural de los Estados Unidos de América. U. t. c. s. 2. adj. Perteneciente o relativo a este país.
estadunidense. 1. adj. Hond. y Méx. estadounidense. Apl. a pers., u. t. c. s.

O “Diccionario Básico de La Lengua Española” (Editorial Planeta-De Agostini, Barcelona, 2001), também traz:

estadounidense adj. Natural de Estados Unidos de América. Ú.t.c.s. II Perteneciente o relativo a este país.

O “Diccionario de la Lengua Española”, da Editora Espasa (Barcelona, 2012), registra:

estadounidense adj. y com. De Estados Unidos o relativo a este país federal norteamericano.

Além desses, vários dicionários espanhóis online (como spanishdict.com, collinsdictionary.com, wordreference.com, rae.es, diccionarios.com, deepl.com, bing.com) trazem pelo menos a forma estadounidense, e às vezes também estadunidense (preferido em Honduras e México).

Na página da Wikipedia sobre os EUA (https://es.wikipedia.org/wiki/Estados_Unidos), o gentílico (gentilicio) estadounidense tem prioridade sobre norteamericano ou americano. Até sua moeda é chamada apenas de “dólar estadounidense”. Outras páginas repetem o uso do termo, como https://es.wikipedia.org/wiki/Nacionalidad_estadounidense.

Como podemos ver, nossos hermanos do continente americano há tempos compreendem que os habitantes dos Estados Unidos da América não têm o direito de arrogarem para si o gentílico de todo o continente. Apenas no Brasil permanece essa triste e colonizada teimosia de tratar os imperialistas do norte como se “nos representassem”, ou coisa parecida. Ora, os alemães chamam a si próprios de Deutschen, Deutsche ou Deutsch; por que então não os chamamos também de dótchi? Os chineses se referem a si como 中国人, ou zhōngguórén; por que não os chamamos de djonguorjen? Sequer sua capital, Beijing, escrevemos corretamente, teimando em usar o anglófono Peking, abandonado pelos chineses há mais de 60 anos!

Em suma, trata-se do mais abjeto e covarde viralatismo, que abana o rabo pros imperialistas ianques, enquanto trata os demais povos do planeta como os ianques esperam que os tratemos. Quando é que os brasileiros—incluindo muitos acadêmicos que se dizem progressistas—abandonarão este hábito e passarão a usar, sem medo, o inambíguo e já consagrado gentílico “estadunidense”?

domingo, 9 de outubro de 2022

Monoteísmo, o “paladar infantil” extendido

O monoteísmo é uma “síndrome do paladar infantil” ampliada.

Quando uma criança diz “eu sei o que é bom, sei do que gosto e do que não gosto, por isso não quero nem experimentar isto”, estamos diante dessa síndrome.

Quando uma criança a pratica, é triste. Quando um adulto a pratica, é doentio.

Quando um adulto a pratica em todos os níveis além do paladar, quando se acha sabedor de “tudo o que interessa” a ponto de desprezar ciências e filosofias, mitologias e outros pontos de vista, aí a inteligência que define a espécie humana morreu.

Via de regra, só monoteístas agem assim, e agem sempre assim. Por isso o monoteísmo é uma catástrofe civilizacional.

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Monoteísmo é mitologia também

O monoteísmo finge ser a “única verdade do universo”, numa agressão à diversidade cultural e mitológica do planeta. São tão mitologia quanto as outras mitologias, e precisam entender isso. Não é o “ateísmo” que vai resolver, mas o entendimento do que é e como funciona uma mitologia. É sobre conhecer, não sobre acreditar. Fé cega é pleonasmo. Re-ligare (religião) é pra quem caiu no conto do vigário de que teríamos nos “desligado”. Não nos desligamos. O paraíso é aqui, e ninguém vai ganhar “outra Terra” por obedecer algum espertalhão.