“É digno de registro o fato de que essa economia regional [do sul do Brasil], com exceção da área do extremo sul (das grandes estâncias voltadas para a pecuária), foi marcada pela presença de trabalho familiar e relativamente desconcentrada foi sua estrutura fundiária. Foi restrita a presença da escravidão na economia sulina, como também não foi ali dominante a grande propriedade rural. Daí que sejam historicamente menores, hoje em dia, as desigualdades de renda e riqueza naquela região, o que, também, explica muito do relativamente superior nível médio de qualidade de vida da região quando comparado ao das demais regiões brasileiras, onde prevaleceram a concentração absoluta da renda e da riqueza, e grande presença de gente escravizada.” — João Antônio de Paula. 2021. O Capitalismo no Brasil. Curitiba: Kotter Editorial. p. 68.
Enquanto muitos, evidentemente à direita no espectro político, relacionam os melhores índices socioeconômicos do Sul a uma suposta “superioridade do povo europeu” que o colonizou, vemos nessa passagem que as reais razões são justamente aquilo pelo que a esquerda sempre lutou: trabalho digno, reforma agrária e distribuição de renda.